3 min de leitura
Redação SC Inova
10 de setembro de 2026
Joinville chegou ao Startup Summit 2026 com indicadores que ajudam a dimensionar a força de seu ecossistema de inovação, mas a discussão levada ao palco foi menos sobre números e mais sobre o que existe por trás deles. No painel “Por que Joinville virou terreno fértil para inovação?”, realizado em 27 de agosto, lideranças locais defenderam que a competitividade da cidade está na capacidade de conectar indústria, conhecimento, poder público e organizações do ecossistema em torno de agendas comuns.
A conversa reuniu William Escher, secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Joinville; Fabiano Dell Agnolo, presidente do Ágora Tech Park; Lincoln Rezende, da ArcelorMittal; e Rogers Pereira, diretor executivo do Join.Valle. “Joinville sempre teve grandes indústrias, conhecimento técnico e pessoas empreendedoras. Só que esses ingredientes, sozinhos, não fazem necessariamente um ecossistema. O que mudou foi que esses atores passaram a atuar de maneira mais conectada”, afirmou Rogers.
Essa articulação ocorre sobre uma base econômica relevante. Joinville tem a maior economia de Santa Catarina, cerca de 1,3 mil indústrias e permanece entre os dez principais ecossistemas de startups do país, segundo o Global Startup Ecosystem Index 2026. Entre 2019 e 2023, o PIB municipal cresceu mais de 40%, conforme os últimos dados oficiais do IBGE.
Do lado do poder público, William Escher destacou que o papel da prefeitura é reduzir barreiras e criar condições para que empresas e empreendedores consigam avançar. A cidade definiu cinco eixos prioritários para orientar seu desenvolvimento nos próximos 15 anos e vem adotando instrumentos como Sandbox Regulatório, simplificação para abertura de empresas e o Contrato Público para Solução Inovadora. Na segunda rodada do CPSI, mais de 20 desafios da administração municipal receberam quase 300 propostas de startups de diferentes regiões do Brasil. “A prefeitura não é quem toca a banda. Ela faz parte da banda”, resumiu Escher.
Na perspectiva dos ambientes de inovação e da academia, Fabiano Dell Agnolo destacou que os resultados dependem de continuidade e de relações construídas ao longo do tempo. Entre as iniciativas citadas estão programas de inovação aberta que aproximam empresas e pesquisadores, ações de formação de talentos e o acesso compartilhado a estruturas como o FabLab do Ágora Tech Park, que completa dez anos. “Não se faz nada realmente relevante e impactante no curto prazo e tampouco a poucas mãos”, afirmou.
A indústria completa esse circuito ao levar demandas concretas para dentro do ecossistema. Lincoln Rezende apresentou a experiência da ArcelorMittal na conexão com startups, universidades, hubs e centros de pesquisa para desenvolver e testar soluções aplicadas à operação. Nesse modelo, desafios industriais se transformam em oportunidades para novos negócios e projetos de pesquisa, enquanto as empresas ampliam sua própria capacidade de inovação.
A articulação entre essas frentes passa ainda pela governança do ecossistema, que reúne representantes de diferentes setores para identificar gargalos, conectar iniciativas e construir agendas comuns.

