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Redação SC Inova
24 de março de 2026
Ágora Connect reforça papel da inovação aberta na conexão entre empresas, universidades e pesquisa aplicada
Iniciativa do Ágora Tech Park reforça o papel da inovação aberta na aproximação entre mercado e academia, com novas conexões, eventos e projetos voltados à pesquisa aplicada.
A inovação aberta vem ganhando cada vez mais relevância como estratégia para acelerar o desenvolvimento econômico, aproximar academia e mercado e ampliar a capacidade das empresas brasileiras de transformar conhecimento em soluções com impacto real. Esse foi o eixo central das discussões em torno do Ágora Connect, iniciativa do Ágora Tech Park voltada à articulação entre mantenedores, universidades, pesquisadores e centros de pesquisa.
Segundo Tavinho Brígido, coordenador do programa Connect, a proposta vem evoluindo para fortalecer o matchmaking entre demandas do mercado e competências científicas, inclusive por meio de plataforma própria para agilizar a conexão com pesquisadores. Um dos movimentos mais recentes nesse sentido é a criação do Brainstorm, novo evento voltado aos pesquisadores, com foco em imersão junto aos clientes e mantenedores para estimular a geração de ideias aderentes aos desafios reais das empresas.
Entre as próximas atividades da agenda está a edição do Bom Dia Cientista, no dia 10 de abril, com foco em manufatura aditiva e participação do professor Fernando Lafratta, pesquisador com pós-doutorado em Engenharia de Produção pela UDESC. Outro destaque será o Ágora Experts, marcado para os dias 29 e 30 de maio, com a proposta de discutir como transformar conhecimento, pesquisa e produção científica em desenvolvimento econômico — em uma lógica que pode ser resumida pela provocação: transformar paper em PIB.
Atualmente, o ecossistema conectado ao programa reúne empresas como Unimed, Avell, Pollux, Pró-Rim e Whirlpool, além de instituições como Univille, Católica, IPT, Senac, UFSC e UniSenai, formando uma base diversa para cooperação em inovação. E agora, passa a contar com a Cisa entre suas corporates.
A conselheira de inovação da Walbert, Edna Schmitt, idealizadora do cluster automotivo, destacou que a construção desse ambiente é resultado de um processo de confiança e articulação iniciado ao longo dos últimos anos. Segundo ela, a aproximação entre ICTs, empresas e o Ágora permitiu criar as bases para projetos mais estruturantes. Em meados de 2024, com a abertura de um edital para iniciativas dessa natureza, diferentes instituições se mobilizaram e contribuíram para a estruturação do programa. Na avaliação de Edna, a antiga barreira entre academia e mercado vem sendo superada de forma concreta. Hoje, 88 empresas e três universidades já estão envolvidas no movimento de clusterização. Nesse contexto, também ganham destaque o MLab, com o Ágora como proponente e a Walbert como interveniente, em projeto fomentado via Finep, e o lançamento do cluster automotivo catarinense.
A relevância desse modelo também foi reforçada por Márcio Machado, especialista em novos negócios e conexões com o mercado do centro de pesquisas avançadas Werner von Braun, unidade Embrapii sediada em Campinas e voltada à conexão entre ciência de ponta e demandas do mercado global.
Márcio chamou atenção para um diferencial percebido no ambiente do Ágora: aqui, segundo ele, são as empresas que procuram a academia — algo ainda incomum no Brasil. Ele também destacou que a Embrapii atua como uma esteira de desenvolvimento tecnológico, em um modelo no qual o projeto pertence à empresa, mas é desenvolvido com compartilhamento de risco pela unidade executora.
No painel, Fábio Wagner destacou que o avanço da nova economia também passa por um desafio crescente de talentos. Em um cenário de baixa taxa de desemprego, a disputa por profissionais qualificados tende a se intensificar, o que exige maior capacidade de articulação entre formação, pesquisa aplicada e demanda empresarial. Entre as frentes mapeadas como oportunidades para Santa Catarina estão a robótica, com potencial de desenvolvimento em parceria com a Embrapii, e a indústria aeroespacial, especialmente em áreas como propulsão, emissão e eletrônica.
Na visão de Paulo Alvim, ex-ministro de C&T e conselheiro do Ágora Tech Park, a inovação aberta se consolidou como resposta prática à necessidade de reduzir riscos e dar velocidade aos processos de inovação. Inovar, segundo ele, envolve erro, tentativa e aprendizado — e justamente por isso estratégias de mitigação de risco são essenciais. Alvim observou que esse modelo é um caminho sem volta, especialmente em áreas de alta complexidade tecnológica, nas quais o investimento é intensivo e a cooperação entre competências se torna decisiva.
Ele também apontou a indústria aeroespacial como uma das maiores oportunidades para o Brasil e para Santa Catarina, desde que o avanço venha acompanhado de forte base científica e tecnológica. Para ele, falar em espaço significa também falar em serviços de satélite, conectividade e Internet das Coisas, elementos cada vez mais estratégicos para a economia.
Ao conectar empresas, universidades, pesquisadores e instrumentos de fomento em torno de desafios reais, o Ágora reforça seu papel como plataforma de articulação capaz de transformar conhecimento em soluções, novos negócios e impacto para a indústria e para o país.

